{"id":3496,"date":"2016-12-14T19:32:22","date_gmt":"2016-12-14T21:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ericpereira.eu\/blog\/?p=3496"},"modified":"2016-12-14T19:32:22","modified_gmt":"2016-12-14T21:32:22","slug":"como-superar-um-ataque-de-panico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clinicadehipnoseenutricao.com\/blog\/como-superar-um-ataque-de-panico\/","title":{"rendered":"Como superar um ataque de p\u00e2nico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses europeus com maior percentagem de doen\u00e7as do foro da ansiedade, entre elas os ataques de p\u00e2nico. Fomos saber como se investe no contra-ataque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00e9dito &#8211; MILOS JOKIC<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagine que vai na rua. Ou est\u00e1 em casa no sof\u00e1 a ver a telenovela. Ou que vai ao volante para o trabalho. De repente, o cora\u00e7\u00e3o dispara, tem tonturas e um terr\u00edvel medo de morrer, uma ang\u00fastia inexplic\u00e1vel e incapacitante. O mais estranho: sabe que algo de horr\u00edvel vai acontecer, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o l\u00f3gica para isso. N\u00e3o vem ningu\u00e9m atr\u00e1s de si, n\u00e3o est\u00e1 a ter um AVC, nem sequer estava a pensar em nada particularmente amea\u00e7ador. Ou seja: um ataque de p\u00e2nico \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o natural do corpo a um perigo\u2026 que n\u00e3o existe.<br \/>\nH\u00e1 quem diga que a ansiedade a que est\u00e1 sujeita a nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a potenciar este p\u00e2nico. Segundo um estudo da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Nova de Lisboa, Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses da Europa com maior percentagem de doen\u00e7as do foro da ansiedade: 16% das pessoas s\u00e3o afetadas, principalmente os mais jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEDO REAL, PERIGO IRREAL<br \/>\nDecidimos bater \u00e0 porta de uma especialista para saber, afinal, como podemos defender-nos deste medo exacerbado. E h\u00e1 uma forma diferente de o fazer, gra\u00e7as \u00e0 hipnoterapia. Maria Jo\u00e3o Dias \u00e9 hipnoterapeuta e ajuda in\u00fameras pessoas a superar problemas psicol\u00f3gicos como ansiedade extrema, ataques de p\u00e2nico ou depress\u00f5es, e afirma que cada experi\u00eancia \u00e9 \u00fanica: \u201cAs pessoas sentem estes \u2018ataques\u2019 de forma diferente, mas referem sempre um medo paralisante e uma sensa\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia inexplic\u00e1vel, s\u00f3 semelhante ao medo da morte.<br \/>\n\u00c9 muito assustador para quem o sente.\u201d<br \/>\nE a mim, pode acontecer? Quem \u00e9 que tem mais probabilidades de ter um ataque de p\u00e2nico? Se eu for mais ansiosa corro mais riscos? \u201cSim, de maneira geral, as pessoas mais ansiosas t\u00eam mais propens\u00e3o a ataques de p\u00e2nico do que uma pessoa mais tranquila. Geralmente s\u00e3o pessoas j\u00e1 com algum tipo de fobia, que n\u00e3o gostam de andar de elevador ou de avi\u00e3o, ou de passar por t\u00faneis.\u201d<br \/>\nCombater estes medos passa por saber de onde v\u00eam: porque o perigo existiu, em qualquer momento que n\u00e3o aquele. \u201cA minha abordagem \u00e9 que tudo tem uma raz\u00e3o de ser\u201d, explica Maria Jo\u00e3o Dias. \u201cSe algu\u00e9m se queixa de ataques de p\u00e2nico \u00e9 porque j\u00e1 viveu uma situa\u00e7\u00e3o em que sentiu um medo muito semelhante \u00e0quele que agora sente, embora possa n\u00e3o se recordar desse evento. \u00c9 como se as pessoas fossem juntando situa\u00e7\u00f5es de medo at\u00e9 haver um detonador em que tudo explode.\u201d<br \/>\nPortanto, estas situa\u00e7\u00f5es adv\u00eam mesmo de uma situa\u00e7\u00e3o de medo real. \u201cImagine que aquela pessoa ficou fechada dentro de um arm\u00e1rio quando era pequenina. Esta situa\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico foi real naquele momento para aquela crian\u00e7a. E estas mem\u00f3rias de medo repetem-se mais tarde.\u201d<br \/>\nNormalmente, a primeira vez que o medo vem \u00e0 tona est\u00e1 de alguma maneira relacionado com a situa\u00e7\u00e3o de origem, mas depois tende a repetir-se aleatoriamente, em situa\u00e7\u00f5es que aparentemente n\u00e3o se justificam, ou em alturas de mais ansiedade. \u201cPode ter medo de voar e sabe que, se entrar num avi\u00e3o, isso vai acontecer, mas pode noutra altura estar em casa a falar com o marido e os filhos e ter um ataque.\u201d<br \/>\nA certa altura, a pessoa j\u00e1 tem p\u00e2nico dos ataques de p\u00e2nico? \u201cClaro que sim. \u00c9 precisamente isso que temos de resolver. Em hipnoterapia, os ataques de p\u00e2nico s\u00e3o uma coisa relativamente simples de tratar, em duas ou quatro sess\u00f5es consegue-se ir \u00e0 origem do problema. Mas depois temos de tratar o medo dos pr\u00f3prios ataques.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hipnose sem segredos<br \/>\nComo \u00e9 que eu recupero e \u2018desmonto\u2019 estas mem\u00f3rias de modo a que deixem de me fazer mal? \u201cO que encontramos sempre s\u00e3o circunst\u00e2ncias em que a pessoa teve muito medo, e o que h\u00e1 a fazer em seguida \u00e9 retirar o medo associado a essas circunst\u00e2ncias\u201d, explica Maria Jo\u00e3o. \u201cPedimos \u00e0 pessoa, por exemplo, para imaginar que retira essa crian\u00e7a do arm\u00e1rio. E \u00e9 poss\u00edvel fazer isto com todas as situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma que n\u00e3o possa ser \u2018destraumatizada\u2019. No fundo, vamos suavizar essa situa\u00e7\u00e3o. Pomos a crian\u00e7a a ver essa situa\u00e7\u00e3o da perspetiva de um adulto, e assim retiramos o trauma a estas mem\u00f3rias.\u201d<br \/>\nE sim, isto \u00e9 feito sob hipnose, mas se j\u00e1 est\u00e1 a pensar que v\u00e3o p\u00f4-la a cacarejar, acalme-se: a hipnoterapia n\u00e3o tem nada a ver com a hipnose de palco. Ningu\u00e9m vai obrig\u00e1-la a fazer nada contra a sua vontade, ningu\u00e9m vai domin\u00e1-la ou faz\u00ea-la confessar segredos de fam\u00edlia. \u201cA hipnose \u00e9 um estado de relaxamento muito ligeiro, em que a pessoa est\u00e1 sempre consciente, est\u00e1-nos a contar as suas experi\u00eancias, mas como est\u00e1 relaxada tem a possibilidade de aceder muito mais facilmente a mem\u00f3rias que de outra maneira estariam guardadas no inconsciente. As pessoas acham que vou p\u00f4-las a dormir, mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece: se n\u00e3o estivessem conscientes, n\u00e3o conseguiriam conversar comigo.<br \/>\nA pessoa n\u00e3o revela nada que n\u00e3o queira partilhar, e depois da sess\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que se lembra de tudo.\u201d<br \/>\nEnt\u00e3o, come\u00e7amos a perceber por que \u00e9 que agimos de determinada forma em certas situa\u00e7\u00f5es. O facto de percebermos n\u00e3o \u00e9 o suficiente para nos ajudar a ultrapass\u00e1-las, mas \u00e9 o princ\u00edpio para nos ajudar a libertar as emo\u00e7\u00f5es que ficaram l\u00e1 presas. Ou seja, aquela menina fechada no arm\u00e1rio ficou com um medo cristalizado que nunca exteriorizou a n\u00e3o ser nos momentos de p\u00e2nico. E temos de a ajudar a libertar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo para sentir<br \/>\nSocorro! Quando um ataque est\u00e1 a acontecer, que posso fazer para acalmar? \u201cQuando um paciente me telefona durante um epis\u00f3dio, o que eu fa\u00e7o \u00e9 conversar com ele e acalm\u00e1-lo, tentando que a minha voz seja uma fonte de tranquilidade, lembrando que aquelas emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o passageiras e que aquele medo tem um tempo diminuto\u201d, explica Maria Jo\u00e3o Dias. A primeira coisa a ter em conta durante um ataque \u00e9 isso mesmo: que \u00e9 passageiro e dura pouco tempo. Mas muitas pessoas ficam mesmo perturbadas. \u201cAt\u00e9 porque muitas vezes as pessoas com ataques de p\u00e2nico s\u00e3o controladoras, e aqui sentem que est\u00e3o a perder o controlo, o que se torna ainda mais assustador.\u201d<br \/>\nE afinal, a culpa tamb\u00e9m \u00e9 do mundo? Os ataques est\u00e3o a aumentar porque estamos dominados pelo stresse? Sim e n\u00e3o. \u201cAo contr\u00e1rio do que se pensa muitas vezes, temos agora uma vida muito melhor\u201d, nota a psic\u00f3loga e hipnoterapeuta. \u201c\u00c9 verdade que existe stresse, mas dantes n\u00e3o existia tamb\u00e9m? Os nossos av\u00f3s tinham uma vida muito mais dura, mas estavam preocupados com a sobreviv\u00eancia. N\u00e3o acredito que muitos deles n\u00e3o tivessem ataques de p\u00e2nico, mas n\u00e3o tinham tempo para estar doentes nem tristes nem com medo, nem ferramentas para lidar com isso. Neste momento, como estamos menos preocupados com a sobreviv\u00eancia b\u00e1sica, podemos \u2018sentir\u2019 mais. Hoje, valorizamos mais a tristeza, sabemos como \u00e9 importante dizer que estamos tristes, e ainda bem que isso acontece.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANSIEDADE NA PASSADEIRA VERMELHA<br \/>\nOs famosos tamb\u00e9m t\u00eam ataques de p\u00e2nico, e n\u00e3o o escondem: Amanda Seyfried j\u00e1 disse que vai regularmente a um terapeuta para a ajudar a lidar com os seus ataques, de que sofre regularmente desde crian\u00e7a. Emma Stone tamb\u00e9m tinha ataques de p\u00e2nico desde pequena, em que nem sequer conseguia sair de casa com medo que alguma coisa terr\u00edvel lhe acontecesse. Oprah Winfrey estava num per\u00edodo de imenso trabalho quando a vida lhe fugiu ao controle, e teve de fazer um esfor\u00e7o consciente para aprender a acalmar-se e a respirar.<br \/>\nA press\u00e3o de Hollywood n\u00e3o ajuda, e as \u2018estrelas\u2019 admitem que por vezes se sentem demasiado ansiosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses europeus com maior percentagem de doen\u00e7as do foro da ansiedade, entre elas os ataques de p\u00e2nico. Fomos saber como se investe no contra-ataque. Cr\u00e9dito &#8211; MILOS JOKIC Imagine que vai na rua. Ou est\u00e1 em casa no sof\u00e1 a ver a telenovela. Ou que vai ao volante para o trabalho. 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