{"id":3538,"date":"2016-12-18T14:56:16","date_gmt":"2016-12-18T16:56:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ericpereira.eu\/blog\/?p=3538"},"modified":"2016-12-18T14:56:16","modified_gmt":"2016-12-18T16:56:16","slug":"a-psicologia-explica-por-que-voce-tem-tanto-medo-de-palhacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clinicadehipnoseenutricao.com\/blog\/a-psicologia-explica-por-que-voce-tem-tanto-medo-de-palhacos\/","title":{"rendered":"A psicologia explica por que voc\u00ea tem tanto medo de palha\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho: eles s\u00e3o respons\u00e1veis at\u00e9 por crises de histeria coletiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ma onda de palha\u00e7os com m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es varreu os Estados Unidos nos \u00faltimos meses. Ou pelo menos essa \u00e9 a hist\u00f3ria relata pelas supostas v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o. Foram pelo menos cinco relatos amea\u00e7adores s\u00f3 no estado americano da Carolina do Sul, onde se concentraram os primeiros casos. Facas e machados, olhares de esf\u00ednge e tentativas arrepiantes de atrair crian\u00e7as para as sombras de um matagal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;supostas&#8221; no par\u00e1grafo acima n\u00e3o \u00e9 gratuito: o fato \u00e9 que nada comprova os relatos. N\u00e3o h\u00e1 um resqu\u00edcio sequer de fio de cabelo azul ou nariz vermelho no &#8220;epicentro&#8221; das observa\u00e7\u00f5es. E h\u00e1 ainda menos evid\u00eancias de que o Coringa exista e esteja ensaiando com seus comparsas seu pr\u00f3ximo ato de terror. Ningu\u00e9m chegou a ser atacado, e nenhuma crian\u00e7a foi achada no mato. O que fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aposta da pol\u00edcia \u00e9 a de que isso seja, na verdade, uma crise de histeria coletiva, e que os palha\u00e7os n\u00e3o passem de uma ilus\u00e3o, um fen\u00f4meno psicol\u00f3gico. A resolu\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio parece cinematogr\u00e1fica, mas n\u00e3o \u00e9 novidade. E tem tudo a ver, claro, com o medo cr\u00f4nico que boa parte das pessoas tem de palha\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7a na inf\u00e2ncia. Um artigo cient\u00edfico da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, revela que crian\u00e7as e adolescente com idades entre 4 e 16 anos s\u00e3o quase un\u00e2nimes em afirmar que a presen\u00e7a de figuras de palha\u00e7o em quartos de hospital \u00e9 assustadora e n\u00e3o colabora em nada com a recupera\u00e7\u00e3o de pacientes \u2014 \u00e9 de se pensar como o McDonald&#8217;s conseguiu conquistar o mundo com Ronald.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No artigo, a palavra usada para descrever Bozo e seus amigos em ingl\u00eas \u00e9 unknowable. Uma tradu\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, mas complicada, \u00e9 a palavra incognosc\u00edvel. O esp\u00edrito da coisa \u00e9 que n\u00e3o se pode saber o que est\u00e1 por tr\u00e1s de um olhar de palha\u00e7o, e coisas amb\u00edguas, em geral, d\u00e3o muito mais medo do que coisas abertamente ruins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, todo mundo vai entender se voc\u00ea sair correndo quando um jacar\u00e9 faminto avan\u00e7a na sua dire\u00e7\u00e3o. O animal \u00e9 um risco claro \u00e0 sua vida, e todo mundo concordaria. Um palha\u00e7o, por outro lado, pode ter uma apar\u00eancia repulsiva par alguns, mas nada garante que ele v\u00e1 fazer uma maldade quando te abordar na rua \u2014 ou na plat\u00e9ia do circo. Eles s\u00e3o imprevis\u00edveis. E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a chave do medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra pesquisa, que saiu na revista cient\u00edfica New Ideas in Psychology, \u00e9 o primeiro estudo emp\u00edrico j\u00e1 feito sobre coisas &#8220;arrepiantes&#8221; (creepy). E sua principal conclus\u00e3o \u00e9 que para ser horripilante, mais do que repulsivo, \u00e9 preciso ser imprevis\u00edvel. Os pesquisadores analisaram 1.341 volunt\u00e1rios maiores de idade por meio de question\u00e1rios. Na primeira parte, os participantes precisavam selecionar, entre 44 caracter\u00edsticas f\u00edsicas e comportamentais diferentes, as que elas mais associavam a coisas arrepiantes. Depois, elas precisavam fazer seu pr\u00f3prio ranking de profiss\u00f5es de dar frio na barriga e selecionar dois hobbys que n\u00e3o fossem exatamente&#8230; normais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados s\u00e3o \u00f3bvios: no topo da lista de profiss\u00f5es, com uma imensa vantagem, est\u00e3o os palha\u00e7os. E entre as caracter\u00edsticas que ativam o alerta de arrepio, comportamentos s\u00f3 um pouco estranhos s\u00e3o considerados piores que comportamentos abertamente estranhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel saber se um palha\u00e7o est\u00e1 feliz ou triste com o disfarce da maquiagem. E \u00e9 imposs\u00edvel saber se ele vai ou n\u00e3o dar com uma torta na sua cara em uma fra\u00e7\u00e3o de segundo. O mais prov\u00e1vel, ent\u00e3o, \u00e9 que seja essa mistura de felicidade fingida com inten\u00e7\u00f5es ocultas que d\u00ea tanto medo. E esse medo \u00e9 universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos leva de volta \u00e0 histeria coletiva. Na d\u00e9cada de 1980, um caso parecido com o da Carolina do Sul foi desencadeado por relatos de crian\u00e7as nos arredores de Boston. Na \u00e9poca, Loren Coleman, um especialista em criptozoologia \u2014 o estudo dos animais que n\u00e3o existem, como o Monstro do Lago Ness ou o P\u00e9 Grande \u2014 apostou que esses surtos poderiam ser simples imagens mentais levadas um pouco a s\u00e9rio demais. Talvez ele esteja certo, e o medo de palha\u00e7os volta em ciclos para assombrar os adultos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho: eles s\u00e3o respons\u00e1veis at\u00e9 por crises de histeria coletiva ma onda de palha\u00e7os com m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es varreu os Estados Unidos nos \u00faltimos meses. Ou pelo menos essa \u00e9 a hist\u00f3ria relata pelas supostas v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o. 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