{"id":3566,"date":"2016-12-20T11:23:06","date_gmt":"2016-12-20T13:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ericpereira.eu\/blog\/?p=3566"},"modified":"2016-12-20T11:23:06","modified_gmt":"2016-12-20T13:23:06","slug":"o-que-e-luto-e-melancolia-para-sigmund-freud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clinicadehipnoseenutricao.com\/blog\/o-que-e-luto-e-melancolia-para-sigmund-freud\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 luto e melancolia para Sigmund Freud?"},"content":{"rendered":"<p>Quando dizemos que \u201cFreud \u00e9 o pai da psican\u00e1lise\u201d estamos, de certa forma, usando um conceito freudiano. Seu pensamento sobre os primeiros momentos da vida de uma crian\u00e7a e como tudo em nossa vida se registra em algum espa\u00e7o de nossa mente \u2013 consciente ou subconsciente \u2013 pautou grande parte daquilo que se pensou sobre a mente humana durante o final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do s\u00e9culo XX. H\u00e1 quem diga que Marx e Freud s\u00e3o os grandes pensadores da modernidade, pois juntos compuseram estudos que abarcam tanto a sociedade quanto o homem.<\/p>\n<p>Em 2016, Freud completaria 160 anos e seu trabalho tem sido visto, revisto e estudado. Dois dos seus conceitos mais importantes, al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos, \u00e9 o de luto e melancolia, an\u00e1lise feita em um texto dedicado apenas a esse tema. O <strong>NotaTerapia<\/strong> fez uma an\u00e1lise dessas duas ideias muito caras a todos n\u00f3s. Confira:<\/p>\n<h2><b>Luto<\/b><\/h2>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.daquidali.com.br\/blogdaeliana\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/sal0.jpeg?resize=660%2C440\" width=\"660\" height=\"440\" \/><\/p>\n<p>O luto, de maneira geral, \u00e9 o sentimento de perda de um objeto amado. O luto, neste sentido, consiste nas etapas em que um sujeito passa na supera\u00e7\u00e3o deste sentimento que tem, necessariamente, um per\u00edodo de tempo determinado, mesmo que variado. O que comp\u00f5e o luto, no caso, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o externa de que \u201calgo precisa ser feito\u201d em rela\u00e7\u00e3o a esse objeto ou pessoa.<\/p>\n<p>Assim, o luto \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o a perda de algo e n\u00e3o implica condi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica desde que seja superado ap\u00f3s certo per\u00edodo de tempo. O luto se parece em larga medida \u00e0 melancolia, com a diferen\u00e7a de que, neste caso, h\u00e1 existe o objeto perdido, enquanto que na melancolia o objeto nem sempre \u00e9 algo definido.\u00a0A caracter\u00edstica de maior peso na diferencia\u00e7\u00e3o dos dois estados \u00e9 <i>presen\u00e7a de baixa auto-estima e auto-recrimina\u00e7\u00e3o<\/i> muitos comuns na <i>Melancolia<\/i> e <i>inexistentes no luto normal<\/i>.<\/p>\n<p>No luto profundo existe a perda de interesse pelo mundo externo a n\u00e3o ser que se trate de circunst\u00e2ncias ligadas ao objeto perdido. H\u00e1 a dificuldade de adotar um novo objeto de amor. A aus\u00eancia\u00a0do objeto exige grande esfor\u00e7o para redirecionamento do desejo, ou libido como diria Freud, aquilo que nos move em dire\u00e7\u00e3o a vida. A oposi\u00e7\u00e3o a esse redirecionamento da libido pode acontecer de maneira t\u00e3o intensa que d\u00e1 lugar a um desvio de realidade (psicose alucinat\u00f3ria), entretanto, essa manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre no luto normal.<\/p>\n<blockquote><p>O objetivo para o qual o princ\u00edpio do prazer nos impele \u2014 o de nos tornarmos felizes \u2014 n\u00e3o \u00e9 ating\u00edvel; contudo, n\u00e3o podemos \u2014 ou melhor, n\u00e3o temos o direito \u2014 de desistir do esfor\u00e7o da sua realiza\u00e7\u00e3o de uma maneira ou de outra.<br \/>\nFreud,\u00a0<i>in \u2018A Civiliza\u00e7\u00e3o e os Seus Descontentamentos\u2019<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao luto normal \u00e9 importante salientar que a perda do ente amoroso n\u00e3o constitui presen\u00e7a de auto-recrimina\u00e7\u00e3o, mas, em pessoas nas quais existe pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o para neurose obsessiva pode haver a culpa pela perda. O sujeito pode ter a sensa\u00e7\u00e3o que pode ter ajudado no processo de perda, pode vir a achar que a desejou<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o do luto \u00e9 realizada pouco a pouco e com grande gasto de energia. O desligamento do objeto perdido se d\u00e1 atrav\u00e9s da evoca\u00e7\u00e3o de cada lembran\u00e7a relativa ao objeto em esp\u00e9cies de ritos cotidianos. Quando o trabalho de luto se conclui o ego fica outra vez.<\/p>\n<p><em>As rea\u00e7\u00f5es de luto, que se estabelecem em resposta \u00e0 perda de pessoas queridas, caracterizam-se pelo sentimento de profunda tristeza, exacerba\u00e7\u00e3o da atividade simp\u00e1tica e inquietude. As rea\u00e7\u00f5es de luto normal podem estender-se at\u00e9 por um ou dois anos, devendo ser diferenciadas dos quadros depressivos propriamente ditos. No luto normal a pessoa usualmente preserva certos interesses e reage positivamente ao ambiente, quando devidamente estimulada. N\u00e3o se observa, no luto, a inibi\u00e7\u00e3o psicomotora caracter\u00edstica dos estados melanc\u00f3licos. Os sentimentos de culpa, no luto, limitam-se a n\u00e3o ter feito todo o poss\u00edvel para auxiliar a pessoa que morreu; outras id\u00e9ias de culpa est\u00e3o geralmente ausentes (DEL PORTO, 1999)<\/em><\/p>\n<h2><b>Melancolia<\/b><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/s-media-cache-ak0.pinimg.com\/736x\/e0\/ee\/56\/e0ee56249c890bf93985e6dcfef4ebfc.jpg?resize=598%2C398&amp;ssl=1\" width=\"598\" height=\"398\" \/><\/p>\n<p>A melancolia tamb\u00e9m pode vir a ser rea\u00e7\u00e3o de perda do objeto amado, objeto este que n\u00e3o precisa ter necessariamente morrido e sim ter sido perdido enquanto objeto de amor. Em alguns casos pode-se constatar a perda, entretanto, n\u00e3o se sabe exatamente o que se perdeu (sabe-se, por exemplo, quem se perdeu, mas n\u00e3o se sabe o que se perdeu nessa pessoa). No melanc\u00f3lico n\u00e3o se pode ver exatamente qual o conte\u00fado da perda.<\/p>\n<p>Diferentemente do processo de luto, apresenta o ego como desprovido de valor, incapaz de qualquer realiza\u00e7\u00e3o. A baixa auto-estima pode estar associada \u00e0 ins\u00f4nia e a recusa em se alimentar. A g\u00eanese da melancolia, segundo Freud, estaria numa liga\u00e7\u00e3o objetal que mostrou ser uma catexia de pouco poder de resist\u00eancia sendo logo liquidada.<\/p>\n<p>A libido nesse caso, sem ter direcionamento, desloca-se para o ego estabelecendo uma esp\u00e9cie de identifica\u00e7\u00e3o deste com o ente perdido. A perda objetal passa a ser uma perda do pr\u00f3prio ego.<\/p>\n<blockquote><p>As pessoas n\u00e3o querem receber li\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que n\u00e3o compreendem agora as coisas mais simples. No dia em que o quiserem, ver\u00e3o\u00a0que s\u00e3o capazes de compreender tamb\u00e9m as coisas mais complicadas.<br \/>\nFreud,\u00a0<i>in \u2018As Palavras de Freud\u2019<\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>O amor pelo objeto n\u00e3o pode ser renunciado, mesmo que o pr\u00f3prio objeto o seja. Sendo assim, o afeto volta-se contra o ego como substitutivo fazendo-o sofrer e tirando satisfa\u00e7\u00e3o s\u00e1dica de seu sofrimento. Esse aspecto solucionaria o enigma do suic\u00eddio. Isso s\u00f3 ocorreria, no entanto, quando o ego trata a si mesmo como objeto de forma a encaminhar-lhe toda a hostilidade originalmente pertencente ao mundo exterior.<\/p>\n<h3>Veja tamb\u00e9m um v\u00eddeo com a psic\u00f3loga Maria Rita Kehl explicando um pouco mais dos conceitos:<\/h3>\n<div class=\"fluid-width-video-wrapper\"><iframe id=\"fitvid0\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mYusp6vahK8\" width=\"600\" height=\"450\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/psicologado.com\/abordagens\/psicanalise\/consideracoes-sobre-luto-e-melancolia-trauer-und-melancolie-de-freud\">psicologado<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando dizemos que \u201cFreud \u00e9 o pai da psican\u00e1lise\u201d estamos, de certa forma, usando um conceito freudiano. 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